Pedala Manaus

Ciclistas Invisíveis - Contagem na ZL


O Mês de maio estava só começando, mas já trazia boas experiências aos olhares mais atentos.
Haviam vários voluntários posicionados estrategicamente numa avenida de grande circulação, na Zona Leste de Manaus (ZL).

Muitos dos comerciantes, e outros cidadão que por ali passavam, perguntavam-se:
"Mas o que esse pessoal está fazendo aqui? Por que esses olhares atentos na rua, fazendo anotações em suas pranchetas e tirando fotos?"

Algumas voluntárias responderam:
"Estamos contando ciclistas!"

"Mas ciclistas, por aqui?" Indagavam alguns.

E, de repente, para o espanto dos curiosos, eis que surge um ciclista... depois dois... três, quatro, cem... 604 ciclistas!

"Puxa! Nunca passa ciclista por aqui! Foi só vocês aparecerem" - afirmou uma comerciante, rsrs


A realidade em Manaus é esta. Ciclistas invisíveis circulam [a todo momento] pelas grandes avenidas da cidade, longe da atenção não somente somente do poder público mas, muitas vezes, da própria sociedade. O argumento da comerciante citada "era" o mesmo argumento que eu mesmo tinha anos atrás [antes de usar a bicicleta como meio de transporte].

Eu me perguntava:
"Como será que conseguirei pedalar sozinho pela cidade?"
"Como será minha pedalada [solitária] até o trabalho?"

Para meu espanto, assim que cheguei a avenida principal já me deparei com vários ciclistas com suas mochilas, bolsas e alforjes a caminho de seus respectivos locais de trabalho. Notei que eu não estava sozinho... só não havia parado para observar que aquele era "apenas" mais um meio de transporte silencioso [ e desestressante ] muito usado em Manaus.


Nesta primeira semana de Maio, onde vários voluntários foram fazer a contagem de ciclistas, resolvi fazer o percurso de bike.

Era a 3a vez que eu trafegava de bicicleta na ZL. Minha atenção e preocupação foi redobrada [pois a primeira e a segunda experiência que tive lá não foi muito boa].
Mas esta agora foi diferente. Com meu trajeto na cabeça, fui me comunicando com o trânsito até chegar ao meu destino e, para minha surpresa, não faltou companhias de bicicleta.

Era evidente que muitos preferiam pegar outras ruas por dentro dos bairros, mas outros encaravam a Avenida Autaz Mirim para ir ao seu destino, assim como eu.


Ao chegar ao ponto em que contaríamos os ciclistas, notei algo animador:
Os usuários de bicicleta eram mais do que [ciclistas]... eram pais de família levando e trazendo seus filhos da escola. Pessoas indo ao trabalho. Mulheres fazendo compras. Jovens voltando da escola... eram pessoas que tinham por objetivo chegar a algum lugar sem muito esforço e custo.

Alguns iam muito além do que 1km ou 3km.
O Daniel [foto] usa a bicicleta como meio de transporte e não acha cansativo fazer o percurso da ZL para o São Raimundo de bicicleta (bem acima dos 10km de distancia).

Quando perguntei porque fazia isso, ele foi curto e grosso: "é barato, é prático, e me deixa feliz!" Toda a sua família tem bicicleta.

Perguntei a ele como encarava essa selva que é a ZL. Ele fez um discurso e depois resumiu em 3 palavras: paciência, autodomínio e amor.

- Paciência pra lidar com os motoristas estressados!
- Autodomínio pra não trocar palavras com a ignorância dos motoristas que me xingam e reclamam do trânsito.
- E amor! Pois só quero voltar pra casa, junto de minha família.



Logo cruza por nós mais um ciclista e tive que me despedir do Daniel para continuar meu trabalho.

Ficou aquele sentimento... uma ponta de esperança!
Eu não tinha coragem de pedalar na ZL. Mas muita gente tem! [E precisa!] E é por elas e suas ações que as mudanças ocorrem.


"Construa que eles virão!"

Parabéns ao Pedala Manaus pela iniciativa de realizar projetos que só tem a contribuir com uma cidade mais humana e mais ciclável.

Mobilidade para todos! É justo! Independente se você os vê ou não.

Acredite, eles existem. E nós estamos de olho!



Cicloabraços.

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